Márcio Lobão e a delação de um ex-companheiro de seu próprio pai

Assim como Márcio Lobão, o ex-parlamentaro e a nora já eram réus por suspeita de corrupção na Usina de Belo Monte

A prisão de Marcio Lobão hoje cedo no Rio de Janeiro pela Lava-Jato é resultado de revelações de duas delações premiadas — as dos executivos da Odebrecht e a de Sérgio Machado, ex-companheiro de Senado e de PMDB do pai de Márcio, o notório Edison Lobão.
Machado contou que Márcio disponibilizava um escritório na rua México, no Rio de Janeiro, para que as empresas Estre e Pollydutos pagassem propinas em contrtatos com a Transpetro — então presidida por Machado. A propina era de 1% do valor dos contratos.

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No mesmo escritório, a Odebrecht também entregava o dinheiro vivo da propina dada a Lobão pai e recebida por Lobão filho.
Em julho, o ex-ministro,  o filho e a nora Marta Lobão viraram réus na  Lava-Jato  de Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Eles são acusados de envolvimento em esquema de corrupção na construção da Usina de  Belo Monte. De acordo com a denúncia da força-tarefa do Paraná, foram praticados crimes de corrupção e pagamentos ilícitos que chegam a R$ 2, 8 milhões, entre 2011 e 2014, por meio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mais conhecido como departamento de propina.
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Na época dos fatos, Lobão ocupava o cargo de ministro das Minas e Energia no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) .
Obras de Arte
O esquema investigado inclui aquisição e posterior venda de obras de arte com valores sobrevalorizados, simulação de operações de venda de imóvel, simulação de empréstimo com familiar, interposição de terceiros em operações de compra e venda de obras de arte - por isso o nome da operação Galeria - e movimentação de valores milionários em contas abertas em nome de empresas offshore no exterior. No período das transações foi possível verificar um incremento em seu patrimônio de mais de R$ 30 milhões.
De acordo com o MPF, a propina para o ex-ministro e para o filho foi repassada pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, em cinco entregas no escritório de advocacia que a nora mantinha com a família.
Ainda de acordo com os procuradores da Lava-Jato, nas planilhas de propina da empreiteira Lobão era conhecido como "esquálido".
São investigados também contratos de grupo empresarial que atua no ramo de serviços ambientais com empresa de logística no ramo de combustíveis (empresa responsável pelo transporte e logística do combustível dentro do território nacional e operações de importação e exportação de petróleo e de derivados).

Indicação do pai

Filho e irmão de senadores, Márcio Lobão passou a última década na presidência da Brasilcap, braço dos planos de capitalização do Banco do Brasil. Em 2008, foi promovido à chefia da empresa justamente quando o pai, Edison Lobão, negociava a saída do DEM, partido de oposição, para o PMDB, então base aliada do governo petista. O advogado tomou posse em 24 de setembro de 2007 no que foi considerado à época uma clara indicação do senador ao posto na empresa, que, embora privada, guardava forte influência do BB — 49,99% de seu capital.



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